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domingo, 24 de abril de 2011

Pele de animal, num país tropical? Brega, muito brega, brega mesmo, breguíssimo!

Quando o ser-humano - que vive nas regiões mais gélidas do planeta terra, com neve, água congelada e coisas que tais - nos primórdios da humanidade lutava para sobreviver, descobriu que, além de comer os animais que caçava (como diversas espécies fazem, afinal, existe cadeia alimentar), podia usar sua pele para se aquecer.
Foi assim por séculos, e por séculos a humanidade dessas localidades sobreviveu graças a isso. Aliás, a pele era sinônimo de riqueza, reis e rainhas as usavam. Os pobres também, quando conseguiam caçar com suas próprias mãos.
Hoje, em pleno século 21 temos tecidos sintéticos, desenvolvidas por mentes brilhantes, que simulam a pele do animal, até com a mesma ou melhor textura, e beleza.
Já estive  na Palestina e em Israel, no frio e vento do deserto, já andei na neve na Itália, em grutas cheias de gelo, já tomei banho no Mar Morto, já ouvi a história de Teseu ao lado do Templo de Poseidon, na Grécia, num precipício à beira do Mar Egeu...num frio danado e que foi era difícil posicionar a câmera para tirar fotos por causa do vento intenso.
Em todas essas ocasiões eu estava com tecidos sintéticos - uma boa jaqueta corta-vendo da Diesel - várias opções de blusas e calças segunda pele com tecidos especiais moderníssimos e bonitos, da "The North Face", sempre presente nos melhores shoppings, do Brasil, da Europa, de Israel...
No casaco que eu comprei em Atenas - onde tudo é barato: Calvin Klein, Nike, Laboutin, Lacoste, TUDO!!! - tinha pelo falso, na gola. Se eu tivesse usado, não teria conseguido curtir o Mar Egeu, pois com o vento, teriam entrado os pelinhos, na minha boca, nos meus olhos... Enfim, não usei e foi tão mais legal. Assim que comprei tirei até o falso.
Em Israel, agora no início do ano, usava a calça "The North Face", e sobre ela uma legging Jeans TNG maravilhosa... Era como se não estivesse frio. Eu estava fashion, na moda, confortável, fazendo o que amo: conhecendo filosofias e modos de vida diferentes.
Porém, em pleno Século 21, com todos esses recursos a disposição, e com a informação clara e inegável de que a forma de tirar a pele de um animal para utilização em roupas é a mais cruel e dolorosa forma de morte, vem um estilista, de uma marca popular no Brasil inteiro, e resolve usar isso na coleção de inverno. E mesmo com o protesto dos seus consumidores, resolve que não vai tirar a coleção das lojas.
Gostaria de dizer que não entendo.
Mas entendo o que acontece com esse estilista.
Pele é símbolo de Poder, como eu disse antes, quando ainda era necessário seu uso para a humanidade, somente reis e pessoas mais ricas podiam usar.
O ser-humano quer mostrar que tem Poder, e aqueles com sérios problemas de auto-estima, fazem isso como? Ostentando símbolos de riqueza.
Moro numa cidade em que faz 40º (quarenta graus) de calor, uns 345 dias por ano. Mas aqui, veja bem... estão vendendo coletes de pêlo de coelho. Ridículo, né? Brega. A mesma coisa que ir de terno para a praia. Ou ir de biquíni numa festa de gala.
Coisa de gente sem noção. Sabe? Aqueles ridículos que não têm noção do próprio mal-gosto?
O Brasil é um país tropical e fora a região sul, nossos invernos não nos obrigam a nos super-proteger.
Então, o que estamos fazendo, ao consumir este produto? Gastando nosso dinheiro com algo inútil. Porque? Deslumbramento. Porque se em Paris fazem ou algum dia fizeram, vamos fazer aqui também.
De uma pobreza de espírito isso...
E ainda diz que é tendência. Sabe, acho que quem gosta de seguir tendência de moda, não pode FAZER moda. Fazer coleções. Um bom estilista, CRIA. Inventa.
Gosto do que é diferente, não de copiar coisas que nem servem para mim. Para ter bom-gosto, precisa ter bom-senso. É simples.
E quem compra essas coisas (que aliás, devem estar encalhadérrimas nas prateleiras, para tristeza dos vendedores e dos franqueados dessa marca), outros pobres coitados com complexo de inferioridade que precisa, para se sentir alguém importante, ou para se sentir bonita, ostentar, no pé, um pom-pom feito de um coitado de um coelho do qual tiraram a pele ainda vivo.
Tenho pena dos coelhos, mas tenho mais pena dos seres-humanos, que ainda precisam disso para se sentirem o que? Chiques? Ricos? Importantes? Uns coitados.
Ano passado ganhei até brinde dessa marca pois consumi tanto seus produtos que fui eleita uma das melhores clientes da minha cidade. Este ano, já avisei, não boto meus pés, e nem meu dinheiro lá.
Tenho  bom-gosto e consciência.

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