(Preparem-se, este post é quase gigante. Mas vale a pena ler pelo absurdo).
A três semanas atrás comprei um pacote para o Rio de Janeiro com a TAM. Duraria três dias: iria chegar no sábado, ficar o domingo, e voltar na segunda à noite. Meu compromisso seria na segunda-feira às 13:30h, na Barra da Tijuca.
Por questões de trabalho, tive que adiar a ida e a volta para o dia 24 de maio, segunda-feira. Perdi os dias de hotel, incluídos no pacote da empresa aérea, e a passagem foi remarcada por uma pequena taxa de R$101,00, com a previsão de ida e volta no mesmo dia.
Moro em Cuiabá. Meu destino final era o Rio de Janeiro. Em ambas as cidades, uma temperatura média, em 24 de maio de 2011, de 30º máxima de 19º, mínima. Conferi antes de embarcar.
Como ia viajar de avião usei um cardigã, pois o ar-condicionado deles sempre nos mata de frio, uma calça comprida e uma blusa, por baixo do cardigã. Numa viagem de um único dia, não tinha bagagem.
O horário de partida do meu vôo de ida era as 04:15h da manhã, de Cuiabá. Portanto, devia estar no aeroporto às 03:15h. Foi o que fiz.
Pelo benefício extremo de só me cobrar 1/5 de um salário mínimo para efetuar a remarcação da passagem eu só teria um inconveniente no vôo de ida: chegaria a Guarulhos em SP, as 07:15h da manhã, e teria que embarcar em Congonhas as 11:00h.
Achei razoável. Quase quatro horas de intervalo. Pensei em aproveitar para dormir naquele hotel que tem dentro de Guarulhos por umas duas horas. Pensei em marcar algum compromisso em SP pela manhã, mas, precavida, achei melhor não fazê-lo.
Bom, aí começaram os problemas. Ao chegar em Guarulhos, descobri que já eram 07:50h, ou seja, o vôo estava atrasado por mais de meia-hora. Considerando que o tal transporte gratuito da TAM sai de meia em meia hora, já havia perdido o primeiro.
Como sempre, ao final do vôo, o comandante diz: clientes em conexão, dirijam-se ao atendente. Foi o que fiz. Este atendente, dentro do aeroporto, olhou no seu próprio relógio e disse:” tem um ônibus daqui a dez minutos. E, considerando o transito em São Paulo, você deve sair daqui no máximo às nove horas”.
Ou seja... eu tinha que pegar, ou o próximo ônibus daí a dez minutos, ou o de 08:30h, ou o de 09:00h. Caso contrário perderia a conexão. PALAVRAS DO ATENDENTE DA TAM. Que, aliás, fica dentro do aeroporto, antes do portão de desembarque e só indica a direção do ponto de ônibus.
Saí pela porta do aeroporto de Guarulhos, e, tive o primeiro choque. O térmico. Em São Paulo a temperatura estava muito abaixo dos 19º, mínima do meu local de partida e de chegada. Todo mundo agasalhado, de sobretudo e cachecóis e eu com um simples cardigã. FRIO.
Pois bem, ao chegar à fila do ônibus, o primeiro – das oito horas – já havia partido. Olhei a fila: mais de trezentas pessoas. Fiz um cálculo simples: em cada ônibus, cabem cerca de 42 a 47 passageiros. Logo, as oito e trinta esse número de pessoas embarcaria, as nove horas (horário sugerido pelo atendente da TAM, dentro do aeroporto), embarcariam outras 42 ou 47, e, ainda restariam cerca de 200 pessoas na minha frente. Até estas embarcarem, e eu conseguir uma vaga...minha conexão já teria ido.
Fui até a fila do táxi, onde tive a notícia de que me custaria R$ 116,00 mas que, ainda assim, a espera por um táxi era de uma hora e meia.
Fui para o Air Bus Service (isso, já ligando para a minha agente de viagens em Cuiabá), e consegui um assento no ônibus que iria para Congonhas as 09:20h. E fui para a fila, no frio.
Minha agente de viagens ligou para a TAM para informar a situação e ouviu, o que, para mim, foi até um desaforo:
A única coisa que o atendimento da TAM disse foi que, caso eu comprovasse que o transporte da TAM não tinha me atendido, o valor da passagem de ônibus seria me devolvido.
Caso eu perdesse a conexão, por uma pequena taxa, eu embarcaria no próximo avião.
Vou resumir: o ônibus coletivo chegou a tempo, e eu embarquei na última chamada para o RJ. Nessa bagunça não tomei café da manhã.
Para piorar a partida do avião atrasou em Congonhas. Meu compromisso no RJ era as 13:30h na Barra da Tijuca. Resultado: não tive tempo de almoçar e fiquei aguardando num prédio até as 16:00h, para ser reencaixada.
Voltei a Cuiabá doente.
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E depois do relato, eis porque, na minha opinião, é culpa da TAM eu ter ficado doente:
Razão 1 – Ao chegar ao aeroporto Marechal Rondon a atendedente me disse que havia vaga no vôo anterior, às 01:50h para o RJ, com o qual eu chegaria as seis da manhã, sem o transtorno de passar por Guarulhos e ter que ir para Congonhas. E me deu a dica: da próxima vez, se chegar mais cedo, é possível encaixar.
Problema: não sei a troco do que, ao remarcar a passagem a TAM me colocou num vôo com conexão em que tenho que sair de Guarulhos e ir para Congonhas. Mas havia vaga em outro. Foi porque a passagem era mais cara? Ou mais barata? De acordo com a atendente era uma questão de encaixe.
Suposição: acho que a empresa faz isso para manter disponíveis as vagas dos vôos melhores e poder vendê-las, ao invés da mera remarcação (passageiro já garantido). Mas, atenção: eu comprei e paguei o produto...e o pós-venda da empresa, não tem a menor importância?
Razão 2 – Ao chegar ao aeroporto de Guarulhos o atendente da TAM fica dentro da área de desembarque. Achar o ponto de ônibus da TAM é um problema do passageiro, não há acompanhamento, só indicam a direção.
E, pior, ao chegar ao ponto de ônibus não há distinção entre quem está efetivamente desembarcando e quem está em conexão. Se, houvesse, com certeza o responsável que falou com a minha agente de viagens pelo telefone teria dito: fale com nosso atendente e se apresente como cliente em conexão.
Problema: todos os passageiros da TAM que desembarcam em Guarulhos têm direito a este transporte gratuito para Congonhas. Mas, veja bem...e quem está em conexão, ou seja, NO MEIO, do vôo? Entra na fila juntamente com quem está desembarcando? Se eu tivesse esperado o transporte da TAM eu não teria conseguido concluir o vôo. No qual, aliás, eu passo por um só check-in, na partida. Quer dizer...eu estava zanzando para lá e para cá, no frio, estando no meio da viagem. Com ocheck-in já feito e, creio, sob a responsabilidade da companhia aérea que somente se digna a dizer: por alí.
Razão 3 – O atendente disse para a minha agente de viagens que seu eu comprovasse a impossibilidade de embarcar no transporte da TAM eu poderia ter meus R$ 33,00 de passagem de ônibus ressarcidos. Mas que o transporte estava regular, de meia em meia hora estava saindo. Além disso, eu pagaria somente uma pequena taxa em caso de perder o avião.
Problema: Eu devo comprovar que não consegui embarrcar no transporte da TAM? Acho que a companhia aérea e eu devemos viver sob a égide de um Código do Consumidor diferente. O ônus da prova é da empresa, não é meu.
Problema 2, deste caso: De que adianta transporte de meia em meia hora se a demanda é maior que o número de ônibus? Se quem está entre conexões não é identificado para poder embarcar antes, ou em outro transporte?
Problema 3: o que realmente me importam os R$ 33,00 do ônibus ante a possibilidade de todo o propósito da viagem (portanto tudo o que gastei) ser perdido diante da dificuldade de sair de Guarulhos e chegar a Congonhas? Que proposta é essa, "fique tranquila que vamos ressarcir o dinheiro do ônibus"?
Se eu estivesse falando com ele minha pergunta seria: você acha que me importam R$ 33,00 reais de ônibus ou os compromissos no Rio de Janeiro, pelos quais saí de casa numa segunda-feira de madrugada? Afinal, por que razões essa companhia aérea pensa que viajamos? Para aproveitar o transporte gratuito entre um aeroporto e outro?
Francamente. Isso tem uma palavra: Descaso.
Novamente: um pós-venda horrível.
Problema 4: Uma pequena taxa para remarcar o vôo de conexão? E meus compromissos no Rio de Janeiro? Novamente: péssimo o acompanhamento pós-venda. Ele não se incomodou um segundo com o passageiro. Minha viagem era totalmente sem importância para ele. O sistema, e as taxas e etc. por sua vez, tinham toda a importância do mundo. Um jeito horrível de voar.
Razão 4 – A conexão que prevê troca de aeronave de Guarulhos para Congonhas: uma coisa seria se o passageiro fosse acompanhado até o transporte e embarcado regularmente, com o auxílio da companhia aérea. Outra é o que acontece: uma indicação de onde fica o ponto de ônibus e mais nada.
Como eu disse, saí de uma cidade onde faz uma média de 30º máxima e 19º mínima, nesta época do ano. Meu destino final era outra cidade nas mesmas condições de temperatura. Fiquei duas horas na fila em pé, no frio, zanzando num aeroporto lotado numa cidade em que fazia ao menos dez graus a menos que as duas. Perdi café da manhã e almoço. Cheguei atrasada no meu compromisso e só fui atendida as quatro da tarde, somente podendo jantar as 17:30h.
Estou doente de faringite e rinite até agora.
A previsão de conexão da forma como está entre Cuiabá e Rio de Janeiro só é possível para seres pecilotérmicos (coisa que a raça humana não é). Desembarcar numa cidade, com a variação de temperatura a que se é submetido, especialmente considerando que sai de um aeroporto para outro, é algo que chega a ser violento para o organismo.
Mesmo sem a previsão de fila e tumulto no aeroporto, coisa que existiu.
Mesmo que estivesse preparada para o frio – ou temperatura mais amena - de São Paulo, o que acarretaria o inconveniente de ter que levar roupa adequada para as tais duas horas de conexão, o que, além de transtorno com bagagem, deveria ao menos, então, ser indicado. Mesmo, assim, esse choque térmico é um absurdo, duas vezes ao dia.
Que dirá nas condições que fiquei: de pé em filas, sem poder comer, e passando frio.
EM CONCLUSÃO:
Péssimo vôo e péssimo o atendimento. A última coisa que a companhia pensou ao prever este vôo e a forma de atendimento, foi no passageiro.
Sugiro que algum diretor da TAM (e não um atendente, ou algum especialista em qualquer coisa) mas um diretor se dê ao trabalho de ir a Guarulhos numa segunda-feira desde as sete e trinta da manhã e ficar parado próximo ao lugar onde o tal transporte coletivo da companhia passa, e ver com seus próprios olhos o fato de que o passageiro entra numa fila sem tamanho, sem orientação, e não tem alternativa alguma (Sequer táxi) para sair do aeroporto.
E, especialmente que repense essa rota Cuiabá, São Paulo, Rio de Janeiro. Com essa troca de aeroportos impossível de ser praticada.
E se quiser, eu até faço a doação de mais R$ 33,00 (trinta e três) reais para que possa fazer um lanche no aeroporto. Pois vai ficar umas boas quatro horas de pé, só observando.
