Quando o ser-humano - que vive nas regiões mais gélidas do planeta terra, com neve, água congelada e coisas que tais - nos primórdios da humanidade lutava para sobreviver, descobriu que, além de comer os animais que caçava (como diversas espécies fazem, afinal, existe cadeia alimentar), podia usar sua pele para se aquecer.
Foi assim por séculos, e por séculos a humanidade dessas localidades sobreviveu graças a isso. Aliás, a pele era sinônimo de riqueza, reis e rainhas as usavam. Os pobres também, quando conseguiam caçar com suas próprias mãos.
Hoje, em pleno século 21 temos tecidos sintéticos, desenvolvidas por mentes brilhantes, que simulam a pele do animal, até com a mesma ou melhor textura, e beleza.
Já estive na Palestina e em Israel, no frio e vento do deserto, já andei na neve na Itália, em grutas cheias de gelo, já tomei banho no Mar Morto, já ouvi a história de Teseu ao lado do Templo de Poseidon, na Grécia, num precipício à beira do Mar Egeu...num frio danado e que foi era difícil posicionar a câmera para tirar fotos por causa do vento intenso.
Em todas essas ocasiões eu estava com tecidos sintéticos - uma boa jaqueta corta-vendo da Diesel - várias opções de blusas e calças segunda pele com tecidos especiais moderníssimos e bonitos, da "The North Face", sempre presente nos melhores shoppings, do Brasil, da Europa, de Israel...
No casaco que eu comprei em Atenas - onde tudo é barato: Calvin Klein, Nike, Laboutin, Lacoste, TUDO!!! - tinha pelo falso, na gola. Se eu tivesse usado, não teria conseguido curtir o Mar Egeu, pois com o vento, teriam entrado os pelinhos, na minha boca, nos meus olhos... Enfim, não usei e foi tão mais legal. Assim que comprei tirei até o falso.
Em Israel, agora no início do ano, usava a calça "The North Face", e sobre ela uma legging Jeans TNG maravilhosa... Era como se não estivesse frio. Eu estava fashion, na moda, confortável, fazendo o que amo: conhecendo filosofias e modos de vida diferentes.
Porém, em pleno Século 21, com todos esses recursos a disposição, e com a informação clara e inegável de que a forma de tirar a pele de um animal para utilização em roupas é a mais cruel e dolorosa forma de morte, vem um estilista, de uma marca popular no Brasil inteiro, e resolve usar isso na coleção de inverno. E mesmo com o protesto dos seus consumidores, resolve que não vai tirar a coleção das lojas.
Gostaria de dizer que não entendo.
Mas entendo o que acontece com esse estilista.
Pele é símbolo de Poder, como eu disse antes, quando ainda era necessário seu uso para a humanidade, somente reis e pessoas mais ricas podiam usar.
O ser-humano quer mostrar que tem Poder, e aqueles com sérios problemas de auto-estima, fazem isso como? Ostentando símbolos de riqueza.
Moro numa cidade em que faz 40º (quarenta graus) de calor, uns 345 dias por ano. Mas aqui, veja bem... estão vendendo coletes de pêlo de coelho. Ridículo, né? Brega. A mesma coisa que ir de terno para a praia. Ou ir de biquíni numa festa de gala.
Coisa de gente sem noção. Sabe? Aqueles ridículos que não têm noção do próprio mal-gosto?
O Brasil é um país tropical e fora a região sul, nossos invernos não nos obrigam a nos super-proteger.
Então, o que estamos fazendo, ao consumir este produto? Gastando nosso dinheiro com algo inútil. Porque? Deslumbramento. Porque se em Paris fazem ou algum dia fizeram, vamos fazer aqui também.
De uma pobreza de espírito isso...
E ainda diz que é tendência. Sabe, acho que quem gosta de seguir tendência de moda, não pode FAZER moda. Fazer coleções. Um bom estilista, CRIA. Inventa.
Gosto do que é diferente, não de copiar coisas que nem servem para mim. Para ter bom-gosto, precisa ter bom-senso. É simples.
E quem compra essas coisas (que aliás, devem estar encalhadérrimas nas prateleiras, para tristeza dos vendedores e dos franqueados dessa marca), outros pobres coitados com complexo de inferioridade que precisa, para se sentir alguém importante, ou para se sentir bonita, ostentar, no pé, um pom-pom feito de um coitado de um coelho do qual tiraram a pele ainda vivo.
Tenho pena dos coelhos, mas tenho mais pena dos seres-humanos, que ainda precisam disso para se sentirem o que? Chiques? Ricos? Importantes? Uns coitados.
Ano passado ganhei até brinde dessa marca pois consumi tanto seus produtos que fui eleita uma das melhores clientes da minha cidade. Este ano, já avisei, não boto meus pés, e nem meu dinheiro lá.
Tenho bom-gosto e consciência.
A continuação da frase-título do blog poderia ser: " empresários, tremei". Este é um espaço para contar e analisar histórias de consumidores mau-atendidos. Mas haverão elogios também, se merecidos.
domingo, 24 de abril de 2011
quarta-feira, 20 de abril de 2011
Dois clientes ou meio tomate?
Essa aconteceu no Shopping Pantanal em Cuiabá, a mais ou menos dois meses atrás.
(o nome do Shopping foi citado, pois não tem qualquer relação com o fato)
Eu e minha amiga queríamos almoçar - eram 13:00h. Optamos por algo leve: um prato de grelhado com uma salada.
Haviam duas franquias* de grelhados na praça de alimentação.
Na primeira, não gostamos do cardápio.
Na segunda, fomos até o balcão, onde uma garçonete nos atendeu. Fiz perguntas sobre a salada - nosso objetivo era comer algo saudável, coisa que a marca oferece.
No entanto, na dita salada, só havia tomate seco e queríamos tomate fresco - sem condimentos, menos calórico.
Perguntei se podia trocar. A moça disse que tratando-se de uma franquia, não poderia fazer a troca. Consumidora conformada que ando - ou andava - refleti que as coisas são assim mesmo nas grandes redes.
Perguntei se poderia retirar o tomate seco. Ela concordou. Num estalo, me veio a pergunta:
"- Já que estou tirando um item, vai ficar mais barato?"
Ao que a atendente, obviamente sem o menor interesse, respondeu um lacônico "não".
Retorqui: "então, não posso trocar, mas posso pagar o mesmo preço por um produto, sem que ele esteja completo?"
E a atendente, novamente sem demonstrar o menor interesse, disse: "sim".
Considerando que é uma rede nacional de restaurantes, suponho que o valor da franquia deve ter custado ao franqueado, ao menos, R$ 100.000,00 (cem mil reais). Acrescente-se a decoração, uns R$ 50.000,00 (cinquenta mil)...chutando por baixo, já que realmente não sei os valores. Aluguel no shopping, tributos, empregados... Sinceramente, acho que esse empresário - saiba ele, ou não, o que aconteceu - fez um péssimo negócio.
Trocou duas clientes por meio pedaço de tomate.
Se eu tivesse comprado e pago um produto que não recebi, seria cobrança indevida - ainda que no valor de cinqüenta centavos.
Mas o atendimento ruim, e isso é que deve ser claro, custa muito mais que QUALQUER gentileza que a empresa faça ao cliente. Se for reiterado, pode render má-fama e custar todo o investimento feito na empresa.
No caso, a empresa trocou meio tomate, não só por esta venda, mas por duas clientes que, mau-tratadas, nunca mais voltarão lá. Sem falar nos nossos amigos, que óbvio, ficaram sabendo.
Será que meio tomate vale isso?
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* Franquia, de acordo com o SEBRAE, é uma modalidade de negócio comercial, em franca expansão no Brasil e no exterior, envolvendo a distribuição de produtos ou serviços, mediante condições estabelecidas em contrato, entre franqueador e franqueado.
As franquias envolvem a concessão e transferência de:
- marca
- tecnologia
- consultoria operacional
- produtos ou serviços
No Brasil, as franquias encontram respaldo legal na Lei 8.955, de 14/02/94.
- tecnologia
- consultoria operacional
- produtos ou serviços
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